Amazon coloca fogo (literalmente) no mercado de smartphones

FirePhone_Hand_Firefly-IconNo último dia 18 de junho, a Amazon apresentou seu primeiro smartphone, o Fire Phone. Na teoria isso significa que em breve teremos mais um android no mercado produzido por uma empresa que nunca fez celulares, mas na prática eu acredito que esse não será apenas “mais um celular”, mas fique tranquilo porque para nós brasileiros esse lançamento não terá impacto nenhum….. por enquanto.

Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, não pode ser classificado exatamente como uma pessoa “normal” (afinal, que presidente de empresa de tecnologia que se preze pode ser considerado “normal”?), conhecido por algumas extravagâncias como ter criado uma empresa que visa popularizar viagens espaciais, a Blue Origin; ter gastado 42 milhões de dólares para fazer um relógio; e, mais recentemente, ter comprado o jornal Washington Post por 250 milhões dólares justamente em um momento em que o mercado de jornais impressos vai mal das pernas, foi o próprio Bezos quem subiu ao palco para anunciar o Fire Phone e demonstrar os “recursos” do primeiro smartphone da Amazon.

Esse smartphone tem algumas coisas bem legais, ele é um android diferente pois acessa direto a loja de aplicativos da Amazon (da mesma forma que o Kindle Fire) e tem uma interface bem modificada, tanto é que na apresentação nem é citado que ele é um android; um recurso interessante é o Dynamic Perspective, ou perspectiva dinâmica, que promete dar uma sensação 3D alterando a imagem na tela de acordo com a posição da cabeça e dos olhos de quem está olhando a tela, para isso são usadas 4 câmeras frontais, que funcionam até no escuro pois são infravermelhas; a câmera principal tem 13 megapixels e estabilização óptica de imagem.

Até aí, tudo bem, mas o motivo real que me faz acreditar que esse não será apenas “mais um celular” é o ecossistema da Amazon e um recurso chamado “Firefly”. O Firefly usa a câmera do celular para identificar qualquer “produto” ao seu redor, por exemplo, você aponta a câmera para um livro, ele identifica o livro e já dá a opção de comprar o livro. Se tiver uma música tocando, ele identifica a música, se você apontar para um e-mail ele identifica o e-mail. Ele promete identificar também links, telefones e até séries de TV e filmes e, claro, dar opção de comprar tudo na Amazon com um clique.

Mas como esse Firefly pode fazer o celular dar certo? Integrando o mundo ao seu redor com o mundo da Amazon. Nos EUA, a Amazon é a maior rede de e-commerce, eles vendem de tudo, roupas, cosméticos, computadores, brinquedos e….. conteúdo digital! E a Amazon é o maior distribuidor de conteúdo digital dos EUA e esse conteúdo digital (e-books, músicas, filmes, séries de TV) hoje já pode ser acessado de tablets e smartphones com iOS e Android.

A Amazon está dando ferramentas e recursos para que seus consumidores possam acessar tanto seu conteúdo digital, quanto seu conteúdo “físico” diretamente de um dispositivo da própria Amazon…. pra mim é uma ideia muito boa do Bezos. O pior que pode acontecer é ninguém gostar e continuar “consumindo a Amazon” em dispositivos iOS e android e o melhor que pode acontecer é dar à Amazon controle sobre o hardware e o conteúdo dele. Afinal, conteúdo é a alma do negócio. Quem vai querer um tablet ou smartphone se não houver conteúdo pra ele? As pessoas querem filmes, séries, livros e, se possível, comodidade para ter tudo isso.

Por isso, dispositivos como a Fire TV, Kindle Fire e, agora, o Fire Phone têm tudo para dar certo. É um hardware feito pela Amazon para acessar o conteúdo da Amazon e é por isso que nós brasileiros nem vamos ouvir falar do Fire Phone (da mesma forma que não ouvimos falar do Kindle Fire e da Fire TV). Aqui no Brasil não faria sentido, pois a Amazon no Brasil vende apenas livros digitais, pelo menos por enquanto….

Enquanto a Apple tem se esforçado para gerar mais conteúdo para seus iDevices e a Samsung ainda briga para vender Hardware, a Amazon parece ter percebido que tinha a faca e o queijo nas mãos e isso, sem dúvida, graças à visão pouco “normal” de seu CEO, Jeff Bezos.

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