Lembro, com certa nostalgia, dos meus tempos de ginásio e colégio. Era uma época em que não haviam smartphones, não haviam tablets, eu achava legal ter uma conexão de 56kbps. Pasmem, não havia nem facebook, nem nenhuma outra rede social gigantesca, ou seja, todos que eu considerava amigos eu realmente conhecia (seja por ser colega de escola, de futebol, de natação ou seja lá do que for…).
Tudo que eu queria “compartilhar” com meus amigos, eu precisava contar pra eles, ou, se alguém para quem eu não contei nada soubesse de tudo, eu sabia que tinha um “fofoqueiro” dentre meus amigos… bons tempos…. Hoje, com as rede sociais, é bem diferente…. quando eu “publico” alguma coisa, um monte de gente, alguns que talvez eu tenha trocado apenas um “oi” na minha vida, ficam sabendo imediatamente do assunto em questão (e o fofoqueiro sou eu mesmo). Não estou dizendo para começarmos (me incluo nessa) a boicotar as redes sociais, mas devemos lembrar que todo tipo de “informação” tem seu valor e somos responsáveis por valorizar (ou não) nossas “informações”.
O vídeo abaixo ilustra bem o que eu quero dizer:
Pois é, quando não conseguimos avaliar o valor do que “compartilhamos” por aí, nossas vidas podem virar um livro aberto para alguém que queira se passar por vidente, ou, muito pior, podem virar o banco de dados para pessoa com intenções bem piores.
O que eu faço? Não se desespere, a única coisa importante a fazer é pensar um pouco antes de ficar compartilhando tudo que você faz… aprender a julgar as consequências dos seus atos… não ficar tirando fotos (ou filmando) cada instante da sua vida… avaliar melhor pra quem você conta alguma coisa… não falar com estranhos… olhar pros dois lados antes de atravessar a rua… peraí, isso é meio óbvio…
É meio óbvio mesmo, então por que tanta gente acaba tendo a vida aberta na internet? Isso eu não sei…. mas meu palpite é que a internet da uma falsa impressão de que tudo é mais impessoal, inclusive sua vida. Sinto que muitas pessoas acham que colocar sua vida na internet é compartilhar alguém, não você mesmo. E pior, é compartilhar com pessoas que não existem, não com aquele vizinho que você vai encontrar daqui a pouco. Mas tenho uma novidade, se você publica uma foto sua caindo de bêbado, é você que as pessoas vão ver na foto, não um personagem que existe na sua cabeça; e as pessoas que vão ver podem ser seus pais, seu chefe, sua namorada, não um bando de desconhecidos, amigos do seu personagem imaginário.
As redes sociais (e a internet como um todo) são ferramentas para diminuir a distância entre as pessoas, mas muitas pessoas as usam como ferramenta para se afastar da sua vida real, com a falsa sensação de que tudo é mais impessoal. Em outras palavras, devemos aprender a usar a tecnologia para aproximar nosso “eu real” dos nossos “amigos reais” e não como uma maneira de afastar seu “eu real” do seu “eu virtual”, vivendo uma vida paralela, pois um dia, mais cedo ou mais tarde, você também vai tomar a pílula vermelha (e talvez não seja por escolha própria).
Legal saber que o meu amigo do primário (que não vejo há 20 anos) foi à casa da tia dele hoje para comer coxinha, mas qual a relevância disso para mim? Devo comer mais coxinhas, devo ir mais na tia dele? Bem, tirando a coxinha da tia, os memes compartilhados, check in no McDonalds, sobra pouca coisa. Exatamente como as novelas globais… Isso mostra que o povo só quer fofocar das coxinhas alheias, agora em tempo real…