Obsolescência (re)programada

Uma prática conhecida no iMundo da tecnologia largamente utilizada é a Obsolescência Programada, e isso acontece desde sempre. E com você, só que você não percebe.  Até pode ser que a fabricante do seu celular foi extremamente benevolente em enviar uma atualização para seu aparelho. Porém, a cada nova atualização seu aparelho fica cada vez mais lento. Quando a lentidão começa a incomodar (ou ela vira uma boa desculpa), você compra outro aparelho. Bem vindo ao mundo capitalista.

(Ok, nem sempre as atualizações vêm para lhe forçar a comprar mais. Mas não vamos nos desgastar demais nos detalhes.)

Porém o que está acontecendo é um movimento contrário. Fabricantes estão dando atenção a aparelhos mais antigos. Obviamente também é por causa do dinheiro, pois as fabricantes ainda querem que você consuma muito. Mas é um movimento na contramão. Vamos analisar dois casos:

Apple e o iOS

Há relatos na internet que o novo iOS (sistema base do iPhone e derivados) faz com que o iPhone 4 e o 4S fiquem mais espertos. Por que nadar contra a obsolescência deles? Eu gostaria de atualizar a minha lista de previsões para 2014 que tanto o iPhone 4 e o 4S continuarão à venda em países emergentes e que esta é a estratégia da Apple para a faixa de preço mediana.

Microsoft e o Windows 8.1

A cada nova versão do Windows, a Microsoft ajudava a intel a vender mais processadores e a Samsung a vender mais memória. Isso porque para atualizar os requisitos mínimos eram altos, e ficar no mínimo era no mínimo horrível. Por isso, e por outros motivos, estima-se que 1/4 dos computadores ainda rodem o Windows XP, sistema datado de 2002. Além disso a empresa amarga um fracasso quase-Vista (a versão mais rejeitada depois da ME) com a última versão do Windows. Para tentar incentivar os usuários a migrarem para a esta última versão, a empresa de Redmond abaixou os requisitos mínimos necessários e fez otimizações para que ela rodasse mais rapidamente em computadores mais velhos.

Reprogramação na contramão

Não vamos nos animar! Tudo está sendo movido pelo dinheiro, ainda seremos forçados a comprar muitos aparelhos novos bem antes que os antigos quebrem. Mas tudo isso prova que as obsolescências de software podem ser reprogramadas de acordo com os interesses!

2 comentários em “Obsolescência (re)programada

  1. Não acho que um fabricante deva realmente se preocupar muito com hardware antigo (apesar de ser legal para seus usuários).
    Mas minha argumentação é o custo para se desenvolver ou mesmo otimizar um software para hardware “legado”. Hoje existe uma pressão muito forte do mercado para que todos os fabricantes lancem “novidades” anualmente.
    Continuo achando que o ciclo de 1 ano para desenvolvimento de um smartphone é um prazo muito apertado. Pensa comigo, quando desenvolvemos software, testamos tudo no hardware principal, depois testamos em hardware mais antigo… acho que os fabricantes estão lançando antes de ter o tempo de testar em hardware antigo. No caso da Apple um movimento semelhante ocorreu quando do lançamento do iOS5 e 5.1 e do 6 e 6.1, ou seja, ele foi lançado e numa atualização passou a suportar melhor hardware legado. No caso da Samsung nem existe um esforço tão grande pra rodar versões novas do android em hardware legado.
    Acho que não faz sentido nem pro fabricante, nem pro cliente. Por exemplo, o iPhone 3GS, lançado em 2009 (e que tem update de software até o iOS6) não é exatamente lento, nem ultrapassado… conheço algumas pessoas que continuam usando ele e continuam felizes. Algo semelhante ocorre com o Galaxy S original (lançado em 2010). De lá pra cá Apple e Samsung lançaram 4 versões novas de smartphone topo de linha!
    Claro que o mundo é capitalista, empresas querem ter balanço positivo, mas acho que o consumidor também colabora (e muito) para o comportamento dos fabricantes com relação a acelerar a obsolescência dos equipamentos.
    Também não sei se isso é bom ou ruim… eu mesmo não lembro de ter ficado com um celular por mais de 1 ano na última década e só uma vez (com o Nokia N97 mini) eu troquei de aparelho porque o aparelho tornou-se inútil (se bem que o N97 mini já vinha inútil de fábrica…). Enfim, também estou no grupo de consumidores que, indiretamente, “apoia” o desenvolvimento em ritmo frenético de hardware e software…rs

    Se por curiosidade alguém quiser ver como roda o iPhone 3GS com o iOS6, segue um link do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=cNVu5D4PZrk

  2. Fabio, o caso da Apple é diferente da Samsung, pois a maçã tem hardware (a parte que vc chuta), software (a parte que vc xinga) e a loja de aplicativos. Ela tem total interesse em manter tudo funcionando bem e forçando o usuário a comprar as versões mais novas dos aparelhos. Mas de fato a obsolescência da linha dela foi reprogramada, talvez por outros motivos que não são explicitados no texto, pelo simples fato que o iPhone 4/4S foi otimizado na última versão. Pensando melhor, talvez a Apple não esteja conseguindo motivar tanto seus usuários a fazerem a migração (talvez pela falta de novas funcionalidades), o que a levou a otimizar as novas versões do sistema operacional iOS para os iphones mais antigos. Assim a rentabilidade da loja de aplicativos se mantém. Nesta vez, então, o consumidor estaria fazendo pressão para que a Apple mantesse melhor o legado. Ponto pra vc 🙂
    Já o caso a Samsung é diferente, pois ela só fabrica a parte que você chuta. Então ela não teria tanta motivação a manter todo o legado de celulares atualizado. Se ela o fizer, quem ganha é a Google (fornecedora do sistema operacional e operadora da loja de aplicativos). E sabemos bem que as duas gigantes andam brigando muito por causa disso. Dessa vez o consumidor perderia.

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